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O Casal é a Razão Celeste

Os jovens geralmente, tendem a confiar ao casamento, considerado como um momento de importante transformação na vida de cada um, a realização de todos os seus sonhos do futuro, desejando ser realmente felizes.

Quanto mais infeliz for a pessoa, a ilusão sobre o casamento será maior.

A imagem de um lar ideal para as jovens é a de ter um marido inteligente, trabalhador, fiel, carinhoso, que não se interessa em jogar dinheiro em apostas, que não se excede no álcool e que aos domingos sai com a sua família para se divertir.

E a esposa , por sua vez, deverá ser discretamente refinada, sociável e, como mãe de alguns filhos, saber educa-los comportadamente e responsável pela organização do lar.

Embora haja razoáveis diferenças, cremos que esta é a opinião básica daquelas que possuem um ideal a respeito de um lar.

Assim, nasce um novo casal, crendo sinceramente que a pessoa amada lhe trará a felicidade, mesmo quando o amor entre ambos não esteja ainda bastante amadurecido.

Desta forma, visando esse ideal, a mulher se entregará inteiramente ao marido, e este, segurando as mãos da futura esposa, estará prometendo ser um bom integrante da sociedade, um bom marido e um bom pai, desejando construir juntos uma vida próspera e feliz.

De acordo com o Ensinamento do Tenrikyo, nos serviços sagrados realizados diariamente, de manhã e à tarde, oramos:

...Modelando pela terra e céu deste mundo,

Eu tenho criado marido e mulher.

Isto é o princípio deste mundo...

Conforme estes versos, o casal foi criado modelando-se pela terra e céu. O marido possui a razão do céu e a esposa, a razão da terra.

Como céu, o homem é dotado de um espírito amplo, liberal, sem reservas.

Da mesma forma que o céu umedece a terra com chuvas, neves, neblinas e orvalhos, o homem veio umedecendo o lar e a sua família com os produtos das caças, com cereais obtidos nas colheitas ou então com o salário que lhe é atribuído pelo serviço prestado.

Com o transcorrer do tempo, o modo e o agente umedecedor vieram-se transformando, porém, o homem continua sendo aquele que umedece e a mulher, aquela que o recebe e desenvolve o crescimento das coisas, assim como a terra que recebe todas as graças vindas do céu, promovendo com isto, o desenvolvimento natural das coisas.

De conformidade com este princípio, este mundo é formado pela terra e céu, isto é, tudo começou de Deus-Parens (pai e mãe), tudo nasce e existe no abraço do céu e da terra, assistida e protegida por Tsukihi (Lua-Sol), representação figurativa de Deus-Parens.

Entretanto, a vida conjugal que se iniciou com todas as esperanças, na realidade nem sempre caminha conforme o ideal.

Mesmo aqueles casais que antes do matrimônio eram ardorosamente enamorados, depois de dois ou três meses de convivência, estarão reclamando que: “viver diariamente a dois é algo muito estressante”.

Porém, não é de se estranhar que ambos tenham mutuamente diversas preocupações de ajustamento doméstico, pois, o casamento é uma brusca mudança de vida entre duas pessoas que foram criadas durante muitos anos, em ambientes completamente diferentes.

Assim, Deus-Parens nos ensinou sobre “respeito, auxilio e complementação mútua”.

Isto não significa valorizar a sua vontade, a sua posição, mas sim transformar o seu pensamento naquilo que considera a situação do companheiro.

O importante é modificar o espírito de ambição e egoísmo.

Somos ensinados que não devemos ouvir nem ver os outros casais com sentimentos de inveja, pois um casal está predestinado a viver, observando-se reciprocamente.

São dois que possuem a mesma predestinação.

É algo como dois espelhos contrapostos, um diante do outro. A sua imagem estará projetada na imagem do outro.

Uma vez que sabemos que o casal é a união de dois com a mesma predestinação, conforme a intenção de Deus-Parens, cada qual deverá ver nos defeitos do companheiro a sua imagem passada nas vidas anteriores e cada vez que reconhecer um defeito no parceiro, deverá exprimir a sua desculpas sinceramente a Deus-Parens.

Além disso, se um viver criticando os defeitos do outro jamais haverá paz para o casal. Se viver somente criticando um ao outro certamente chegará ao fracasso e o divórcio será inevitável. Se essa ocorrência chegar a se concretizar não haverá nada tão triste para ambas as partes e, para os filhos se tornará um pesadelo no futuro.

Será que através deste esforço é que poderemos ver convertidas às más predestinações em boas?

É natural que o casal veja no parceiro a imagem da própria predestinação, por isso, antes de surgir as criticas ao parceiro deve-se fazer uma auto-reflexão, analisando e conscientizando-se de que o problema está no espírito de cada um.

Deve-se, então, esforçar-se para transformar o seu próprio espírito, pois só assim recebera a graça de transformar a predestinação e haverá certamente o caminho que vai solucionar imediatamente todos os infortúnios e sofrimentos.

É fazendo este esforço com sinceridade que poderemos converter às más predestinações em boas.

Qualquer pessoa tende a desprezar o que é contra o seu caráter, porem, no momento em que se consegue deixar de lado as suas aspirações, transformando o espírito naquele de se ajustar às intenções de Deus-Parens, o que era desagradável passará a ser até agradável.

Cremos que o casal é uma união de duas pessoas com respectivos costumes, naturezas e caráter opostos.

E não há nenhum incômodo nisto, porque é assim que se consegue a complementação mutua. Por conseguinte, a incompatibilidade de gênios já não se torna motivo para o divórcio.

Ouvimos freqüentemente a frase: “dois em um é a razão celeste”. Isto não significa que duas naturezas se transformam em uma, mas sim, que a ação harmoniosa das duas juntas formam uma perfeita unidade.

O céu e a terra, a água e o fogo, o homem e a mulher, esta é a verdadeira razão de todo o universo.

Este mundo é onde Deus-Parens trabalha com a razão de dois em um, e é no enlace do céu e da terra que vive protegido pelo trabalho equilibrado do calor e da umidade.

No momento em que estabelecer no espírito do casal a razão do céu e da terra, e da providência da Lua e Sol, o mundo humano estará estabilizado, permitindo-se a perfeita paz no futuro das crianças, assegurando-lhes a vida plena de alegria e felicidade.

Estabelecei a harmonia no espírito de ambos.

Toda e qualquer coisa se realizará. HS.IV-2

Assim, se nos esforçarmos para um futuro radiante e promissor, baseados no ensinamento da Tenrikyo, estabelecendo firmemente nos nossos corações que, a determinação espiritual do casal é à base para estabelecer o equilíbrio da espécie humana, alcançaremos a verdadeira vida plena de alegria e felicidade.

Rv. Clovis nascimento
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